Amor a la “Green Card” no Canadá

 

O governo do Canadá se pronunciou recentemente sobre a sua visão a respeito de casamentos falsos e a sua relação com o patrocínio fraudulento de direito à cidadania. 

Você se lembra do filme “Green Card”, estrelado pelo ator Gérard Depardieu, no qual ele faz o papel do protagonista, um francês que casa com uma cidadã americana somente para obter a residência permanente nos EUA (o chamado “green card”)? Obviamente, a la Hollywood, o candidato ao green card acaba se apaixonando de verdade pela americana e eles vivem felizes para sempre. Porém, na vida real, quando há um casamento forjado, isso quase nunca acontece. 

É fato que alguns estrangeiros participam de casamentos falsos com cidadãos americanos ou canadenses (ou residentes permanentes no Canadá) visando assim obter o direito ao green card. A exigência de que o estrangeiro more com o patrocinador do seu visto por pelo menos um ano antes que o green card seja concedido está em vigor na lei americana há muito tempo. Até recentemente, a lei canadense de imigração, visando reduzir a ocorrência de casamentos falsos, tinha uma regulação semelhante, exigindo que a pessoa patrocinadora do visto e seu cônjuge vivessem juntos por dois anos como condição para que o estrangeiro recebesse o direito à residência permanente. A exceção era no caso de terem um filho juntos. 

No último dia 18 de abril, o governo canadense removeu a exigência de coabitação por no mínimo dois anos. O governo liberal do Canadá considera essa exigência uma possível ameaça para a segurança e liberdade do cônjuge estrangeiro que está no país. O Escritório de Imigração, Refugiados e Cidadania do Canadá (IRCC) também afirmou que acredita que a maioria dos casamentos são de boa fé. Uma preocupação específica citada por muitos, e acolhida pelo governo do Canadá, é que se o cônjuge vem sofrendo abuso no casamento, ele ou ela pode se sentir pressionado a manter o casamento e continuar morando junto com o parceiro(a) para garantir a obtenção do direito de residência no país.

É difícil avaliar o risco de um casamento fraudulento e o risco de uma possível prática de abuso por parte do cônjuge. Por um lado, há agências em certos países que organizam casamentos falsos com canadenses com a finalidade de obter o direito à residência no Canadá e, dessa forma, extraem enormes somas de dinheiro das pessoas interessadas em conseguir essa autorização.

Desde que Donald Trump assumiu a presidência dos EUA, em janeiro, muitos imigrantes passaram a ficar extremamente preocupados, com receio de serem deportados de uma hora para outra.

Diante do atual clima de medo, acreditamos que a não-exigência do governo do Canadá de um tempo específico na duração do casamento para garantir a concessão do direito à residência permanente no país certamente amplia a possibilidade de casamentos fraudulentos.

Por outro lado, em um casamento abusivo, os receios são reais. De acordo com a agência Estatísticas do Canadá, os custos no país relacionados a violência do cônjuge no caso de mulheres são estimados em algo perto de US$ 5 bilhões por ano. Pesquisas têm mostrado que há inúmeros obstáculos, tanto físicos (pouca familiaridade com o país, restrições financeiras, etc.) quanto psicológicos (dependência, medo, estigmatização, etc.), dificultando que cônjuges vítimas de abuso rompam o casamento. A exigência de dois anos de matrimônio para poder solicitar o direito à residência parecia só agravar esses temores. O cônjuge vítima de abuso perderia esse direito se rompesse o casamento.

Aparentemente, o governo canadense preferiu optar por prevenir a possibilidade de abusos no matrimônio em detrimento do risco de casos de casamentos fal

The content on this website is provided for general informational purposes only and does not constitute legal advice. Viewing this website or contacting our office does not create an attorney-client relationship.